[Análise] Enslaved
Esta análise foi feita em Agosto, mas como é um jogo espectacular que não vendeu tanto como merecia vou postar aqui a minha opinião:
Citar:![[Imagem: enslaved_odyssey_to_the_west_logo-1024x491.gif]](http://www.bifuteki.com/wp-content/uploads/2010/10/enslaved_odyssey_to_the_west_logo-1024x491.gif)
Depois de uma enorme guerra o mundo ficou muito danificado e os edifícios ficaram todos em ruínas. Apesar disso crescem plantas e existem montes de árvores na paisagem. Apesar desta grande quantidade natureza, os bonitos ambientes de Enslaved são perigosos, mechs à solta atacam todos os humanos que encontrarem. E é por isso que Monkey e Trip, os protagonistas do jogo, têm de ter cuidado à medida que avançam até ao seu destino.
O jogo começa quando Monkey e Trip escapam de uma nave que transportava escravos que se despenhou em Nova Iorque. Trip, uma especialista em tecnologia e gadgets, que quer fazer tudo para voltar à sua aldeia natal, coloca em Monkey uma Slave Headband, que permite a Trip controlar Monkey, obrigando-o a ajudá-a e impendindo-o de a matar. Ao contrário de Trip, Monkey é muito ágil e forte, conseguindo lutar contra mechs e viajar pelos cenários sem muita dificuldade nas zonas de plataformas.
No início do jogo as duas personagens não gostam uma da outra, mas à medida que cooperam ganham confiança e criam um elo de amizade muito forte. A história é de grande qualidade, os diálogos foram bem escritos e as cutscenes são muito boas, existindo algumas expressões faciais muito boas, que representam bem as emoções das personagens. O trabalho do famoso actor Andy Serkis é uma das mais valias de Enslaved, graças à detecção de movimentos e ao voice acting de qualidade que faz para Monkey. O voice acting de Trip está também muito bom o que torna as personagens mais credíveis.
Durante o jogo controlamos Monkey, enquanto Trip é controlada pela I.A. Tal como em Ico temos de ter cuidado para os inimigos não apanharem Trip, que só tem o poder de imobilizar os mechs durante um certo tempo, antes de ficar desprotegida. Já Monkey tem um maior número de ataques. O sistema de combate não é dos melhores do género, sendo um bocado simples, mas mesmo assim é suficientemente bom para tornar os combates divertidos. A arma de Monkey é um bastão, que é usado para ataques corpo-a-corpo e também para ataques de longo alcancee. Para fazer combos corpo-a-corpo são utilizado dos butões, um para ataques fracos e outro para fortes. Ao combinarmos ataques dos dois tipos conseguimos fazer vários combos. Para nos protegermos dos ataques dos inimigos podemos simplesmente desviar-nos, ou usar um escudo, também usado para proteger Monkey de disparos de inimigos afastados. Também existem alguns mechs que nos permitem usar ataques especiais, como uma onda EMP ou fazer rebentar um mech perto dos restantes. Alguns mechs têm outra característica especial, uma que nos obriga a eliminá-los depressa, que é chamarem reforços para o combate. Para atacar inimigos longíquos Monkey pode disparar progecteis de dois tipos. Um deles faz dano inimigo, enquanto o outro pode paralisar temporariamente os mechs ou destruir o escudo a mechs que possuam um.
Para os combates variarem existem boss battles, em que os inimigos têm características específicas e diferentes dos inimigos normais. Também existem perseguições, em que tanto podemos estar a fugir de uma criatura, como podemos estar a persegui-la na Cloud, um aparelho sobre o qual vou falar mais à frente na análise.
As secções de plataformas do jogo foram muito criticadas, com os críticos a dizerem que são limitadas e coisas do género, mas eu não os compreedo…então se dizem isto do Enslaved, porque não disseram o mesmo na altura em que Uncharted 2 foi lançado? Eu tenho que admitir que têm um bocado de razão, mas pessoalmente gostei bastante das secções de plataformas de Enslaved. As animações de Monkey estão bem feitas e os movimentos são fluídos, por isso não tenho grandes razões de queixa…
Vou falar-vos agora da Cloud. Apesar de o nome significar “nuvem” em inglês a Cloud não se parece uma nuvem, mas sim um escudo (como o que Monkey usa para se proteger) planador. Este instrumento permite Monkey viajar pelos cenários (naqueles em que é possível usar a Cloud) a uma velocidade rápida, permitindo-o a ir a sitios impossíveis de alcançar a pé. Com a Cloud podemos também viajar por cima de água, algo obrigatório de se fazer em uma ou duas secções com a Cloud (não ando a reparar exactamente no número de secções em que precisamo de viajar por cima de água…).
Ao derrotar inimigos e avançar nos cenários encontramos Orbs, que podemos usar para fazermos upgrades. Podemos fazer upgrade a todas as capacidades de monkey, como por exemplo a sua vida (aumentar a quantidade de vida, ganhar a capacidade de regenerar a vida com o tempo…) e os ataques com projecteis do bastão. Isto também pode aumentar a longevidade do jogo, porque um caça troféus pode querer fazer os upgrades todos e apanhar todos os Orbs. Além de Orbs também podemos tentar encontrar todos os glitches que Monkey vê graças à Slave Headband.
Os gráficos de Enslaved são um dos pontos fortes do jogo. As animações das personagens estão bastante boas, e tal como disse antes o jogo tem boas expressões faciais, apesar de não terem a qualidade de as de L.A. Noire. Tanto as personagens como os cenários têm um bom nivel de detalhe, e estes ultimos, principalmente na primeira metade do jogo, são muito bonitos, cheios de natureza a cobrir as ruinas das cidades. Estes ambientes coloridos são muito bons para variar dos habituais cenários cinzentos pós-apocalípticos. Além do voice acting ser muito bom, a banda sonora de Enslaved também nao desilude, tal como os outros sons dos jogo, como por exemplo os do impacto entre o bastão de Monkey e os mechs durante os combates. Mesmo assim o som falha, por vezes, em algumas cinemáticas.
Enslaved é um jogo exclusivamente single-player. Apesar de não fazer sentido um modo multijogador neste jogo, isso não é desculpa para este ser curto (não sei bem, mas pelo que vi e pelo que joguei deve durar mais ou menos 10 horas). É verdade que podemos passar o jogo noutro nível de dificuldade ou coleccionar todas as máscaras dos glitches e orbs, mas isso não é razão suficiente para repetir a curta aventura.
Além dos problemas com o som, encontrei outra falha em Enslaved: alguns problemas na detecção de colisão entre as personagens e o cenário. Apesar de não ser muito grave isto causa alguns bugs estranhos, com parte da personagem a “entrar” dentro de uma parede ou algo. Mesmo assim Enslaved é, para mim, um grande jogo. Tem poucas falhas e apesar da curta duração os gráficos e história de Enslaved (que tem um bom final) compensam isso e fazem com que este jogo seja muito recomendado para fãs do género, especialmente agora que pode ser encontrado muito barato na internet. E quanto mais gente comprar, torna-se mais provável a Ninja Theory fazer uma sequela ou prequela depois de lançar o (até agora) muito criticado DmC.
Podem ler esta e muitas outras análises (Psychonauts, Final Fantasy XIII, God of War 3, L.A. Noire...) em http://rumblepack.com.pt/dontseeplay/
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